RIO MODA HYPE - Preview

30.05.2008 EM NOTíCIAS

RAQUEL MARANGONI

O que os estilistas destaques do próximo Rio Moda Hype levarão às passarelas? Para responder essa pergunta (de quais foram suas inspirações e como elas foram transformadas em forma de roupas), o Fashion Prime preparou um texto especial, que você confere à seguir:

Doces. Essa é a proposta da MELCA, que fará das garotas, candy-girls - evocando o romantismo da década de 1950, com rendas, aviamentos, vestidos com shape A, confeccionados em voil, malhas ultrafinas e algodão, usados com anáguas de tule. Tons claros de azul, aludem ao algodão-doce; o branco, ao suspiro; o pérola, à baunilha; o verde, à menta; o lilás, ao chiclete; e o amarelo, aos macarons. Broches, colares e pulseiras têm formas de guloseimas. O jeans, aparece délavé, bem claro, com detalhes de formigas recortadas a laser, aplicadas numa espécie de pesponto. A atmosfera romântica e lúdica ganha um ar sutilmente fetichista com corsets, drapeados e viéses.

Já a MEKETREF, busca referências nas populares séries de TV infantis japonesas (das décadas de 1970 e 1980), que exibiam os tokusatsu: super-heróis como Jaspion, Jiraya, Changeman, Flashman e Power Rangers. Para as heroínas, propõe formas justas, curtas e acinturadas, e para os heróis, silhueta volumosa em cima e justa embaixo. As cores são fortes e vibrantes e os tecidos, tule de malha à organza, perpassando pela seda.

De acordo com a estilista FERNANDA YAMAMOTO, sua coleção é uma homenagem aos 100 anos da imigração japonesa (comemorada em 2008). Tecidos simples, como o algodão, e tons terrosos representam a simplicidade e rusticidade que os imigrantes enfrentaram.
A designer, que é nissei, procurou colocar-se no lugar dos desbravadores e não reproduzir clichês, traduzindo suas próprias origens e recapitulando experiências com seus antepassados.

TARCÍSIO ALMEIDA levará “O Outro” às passarelas, trabalhando as relações humanas da individualidade e do encontro. Para isso, explora o contraste entre formas, ora ovaladas, ora achatadas, com mulages que remetem às formas desniveladas (que se encontram e se dissipam). Ao contrário das de moulage, as de alfaiataria representam as formas endurecidas. Os tecidos vão de 100% algodão até 100% poliéster, transpondo o paradoxal às peças, que variam entre o natural e o sintético.

Já o cotidiano dos "luchadores", jovens da periferia do México, que treinam luta livre desde a infância, é o tema da R.GROOVE. O assunto foi materializado com a estampa "azteca" - presente nas ruas, costumes locais e na "lucha" dos mascarados performáticos, que encenam golpes e piruetas. Os anos de 1950, década marco na “Lucha Libre” (porque “El Santo”, maior astro dos ringues, virou ator de cinema), aparecem nas jaquetas "rock-a-billy" e estilo "flaming racer". Entre os longas do astro, destaque para “Santo en el Hotel de la Muerte" (Santo no Hotel da Morte).

Por fim, a ADPAC propõe: sejam “Bem-vindos à 4ª Dimensão (faça à louca e seja feliz). A idéia é traduzir, em forma de roupas, a tendência de crianças se interessam por assuntos intelectuais e computadores, enquanto adultos consomem objetos infantis, seja por nostalgia ou fuga da realidade. O ar nostálgico aparece nas formas “setentinhas” e nos tecidos vintage, e o infantil nas cores rosa, verde e azul bebê.
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